•.¸¸.ஐ Dedos silentes

Toque suave. Enfim experienciava a metáfora há muito conhecida: dedos de nuvem. Num roçar contínuo, sonhava que os caminhos traçados naquelas mãos seriam os seus. Sentiu-lhe as unhas curtas e bem cuidadas, apreciou a ternura macia e o entrelaço dos dedos. Desejou que entrelaçassem também os destinos naquela carícia. Carecia-lhe ser aquele anel, adornando-lhe o dedo...

Não lhe importava o mundo do lado de fora do carro em movimento, sequer a velocidade imprudente na qual viajavam. Importava-lhe as ondas que aquelas mãos produziam em seu corpo, ainda que não estivessem sobre ele. Era noite, era maresia, era pulsar.

Na curva daquelas palmas, ansiava por entregar-lhe o mar. Tomou-lhe uma das mãos. Umedeceu-lhe os dedos com os lábios, sorvendo o deles o sal, o gosto. Da noite que ela portava, desejava a tempestade a se instalar em seu íntimo, em seu quarto.

E de repente aqueles dedos marulhavam por suas coxas. E o espaço em que se tinham parecia estreito. Era maré cheia. Sentiu as vagas do prazer lambendo-lhe inteira quando, feito espuma, a mão direita dela deslizou-lhe pela beira de sua praia, ancoradouro de quimeras.

O imperativo dos sentires fez com que mudassem de curso, pois em seus mapas, os oceanos poderiam mudar de lugar. Os cursos de seus rios encontraram-se no toque dos lábios, corriam enfim para a mesma foz.

As mãos exploravam os relevos úmidos de maresia. Desaguavam os quereres em gemidos cúmplices, misturando os líquidos. Sentiu dela o desejo se esgueirando por seus dedos. Convidou-a a velejar sem bússola pelo mar bravio de seu baixo ventre. Ao tatear firme, segredou-lhe a formação de suas ardentias. Abriu-lhe as ondas onde a outra mergulhou num mar de carícias. E, qual marinheira destemida, deixou-a percorrer suas rotas.

Sorriu ao descobrir que era ela a lua a controlar as marés vertentes de sua emoção-fêmea. Em si, formou-se um único desejo-pérola: amanhecer todos os dias na espuma daquela onda quente que jorrava dela.

2 comentários:



Fil. disse...

o erotismo romântico que você compõe e expõe chega até a dar vontade de amar...

Vieira Calado disse...

Nem mais!...

Festas Felizes!