•.¸¸.ஐReceita de Páscoa

Não há – ou não parece haver – muito mistério em se preparar uma canjica, iguaria bastante tradicional nas sextas-feiras santas. Milho branco, leite que não pode ser o de caixinha, amendoim, coco, cravo e canela – tudo nas devidas proporções, claro. Há ainda as variações com paçoca e leite condensado, mas isso não vem ao caso neste texto.

O que deve ser considerado aqui é uma canjica em especial. A Canjica da vó Maria. Com c maiúsculo mesmo. Vocês devem me perguntar o que há de tão especial assim nessa Canjica. Pois bem, eu também não sei, apesar de desconfiar de algumas coisas...

Desde que passei a acompanhar o processo de fabricação da Canjica da vó Maria – isso deve ser desde os meus quatro anos, então são dezoito de lá para cá – o recipiente usado para o preparo é o mesmo: um caldeirão. Isso se explica pelo fato de a família ser grande. Vó Maria tem muitos filhos, muuitos netos e alguns bisnetos também. E como quase todo mundo adora canjica, a panela tinha que ser grande.

O que reparei também foi que, apesar de tantos palpites de filhos e netos, a vó nunca mudou a receita da Canjica, sempre fez do jeitinho dela, sempre ouviu a todos, mas nunca se deu a novas experiências. Não com a Canjica.

Tá, mas até aqui não temos nenhum ingrediente especial, nada demais, nenhuma marca de qualquer ingrediente que seja sempre usada, o que me leva a novas especulações. Com a Canjica deste ano, vieram 92 anos de experiência de vida, um gosto pelas coisas simples e um amor límpido que transparece nos olhos azuis que ela tem.

Aqueles ingredientes citados logo no primeiro parágrafo foram mexidos por mãos já cansadas, calejadas de trabalho, de lutas e tristezas também. Nunca perderam, porém, a ternura, a esperança. Dentro do caldeirão, foi posta a alegria pela chegada dos netos, dos filhos que vêm para comer a Canjica.

E, mais uma vez, a gente nem esperou a tampa do caldeirão baixar e já fazia fila com as canecas fartas em volta. Todo mundo rindo, temperando ainda mais a Canjica da vó Maria.

12 comentários:



Ynot Nosirrah disse...

Tenha uma Feliz Páscoa.

Vivian disse...

...como não gostar de canjica
depois de ler seu texto tão doce?

que linda é você!

e por falar em doce,
desejo-lhe um feliz páscoa
regada a muito chocolate
e amor.

bjus, lindeza!

Fala Rapha disse...

Feliz Pascoa Bru! Ovos e Canjica pra tu.

Max Psycho disse...

bjus gata e uma ótima semana, espero que sua páscoa tenha sido maravilhosa

Flavio Ferrari disse...

Algumas coisas não podem ser melhoradas. A canjica da vó Maria é uma delas.
Sorte a sua.
Bjs.

Pelos caminhos da vida. disse...

Tem selinho la pra vc amiga.

beijooo.

Anja Rakas disse...

Sempre associei caldeirões com bruxas malvadas e meninos traquinas.
Hoje associo ao amor, ao carinho e aos ovos de Páscoa.

Beijo

Betania Lisboa disse...

Amiga tudo bem?
Realmente a canjica de sua vó deve ser uma delicia, pois tem o principal ingrediente é o AMOR
e o desejo "felicidade" de ter a família ao seu lado sempre feliz.
Um super beijo e fique com Deus.

casa da poesia disse...

que doce...e apetitoso!...e...para ti...

"Abvum d'bashmaia"...!?...

Dois Rios disse...

O melhor ingrediente da canjica da sua vó Maria é o amor, querida Bru. O teu texto é uma vastidão dele.

Beijos minha linda flor!

Inês

Nilson Barcelli disse...

Cara amiga, não conheço essa canjica...
Mas sei que a comida das avós é sempre recordada com saudade.
Bom resto de semana.
Beijos.

meus instantes e momentos disse...

é bom voltar aqui.
Maurizio