•.¸¸.ஐ Amanheci outono


Sou parte delírio e tanta parte de espanto. Porque é o avesso de suave este mundo que me contém, que exubera ocorrências dúbias cujas manifestações se prestam a um aniquilamento gradativo das minhas maiores certezas; chamo o tempo ora cura, ora culpado das sobras a que me reduzo quando investigo-me o íntimo, desajustada.

E me deito nas sombras, e me embalo nos ventos, nas luas, plêiades, marés e vazantes. Mulher urdida em fina teia. Sujeito, singular, desejante. Emparedada no cimento da palavra, da linguagem mínima, mímica. Todos os dias são dias de se lembrar e de se esquecer - como é difícil manter o tempo sem memória de mim! As horas são todas filhas das dúvidas e dos medos que as povoam, crescem ligeiras regadas pelas inquietações subterrâneas que me alarmam os sentidos.

As pétalas do que tão pouco sei, do que tão pouco sou, do que tampouco... Hoje eu só queria encostar-me a um travesseiro de coisa nenhuma e ali dormir por semanas; perder-me do que é vão e do que é preciso; fechar os olhos ao importante e ao fútil; deixar que morra em mim tudo aquilo que não posso compreender.

Se sou verso inacabado, imperfeito, ao que me sabe, verso confessado rasgando o véu da boca, expõe meu grito. Da arte do barro, flor de lamaçal desabrochando lenta. Imperfeita e milenar reconstrução diária, metamorfose alada, ávida, voraz a consumir eterna o que alimenta o ciclo da ilusão. Queria amputar dos meus desejos os seus impossíveis, livrá-los do meu peso, fazer com que se tornassem tão leves que desaparecessem, etéreos, feito sonhos. E acordar talvez vazia, mas sem pressa de viver.

O sentimento não pode parar

A luz da lua dança nas ondas, lá no mar, as estrelas do firmamento suspiraram em uma galáxia que brilha vagamente. Uma voz através das eras na caça desta profecia. As pedras antigas irão nos contar que o amor deve nos fazer fortes

A brisa me abraça enquanto eu permaneço em meu posto de Amazona. Nossas batalhas, elas irão nos encontrar. As escolhas serão nossas e manteremos nossa bandeira orgulhosamente. Minha mente foi chamada através dos anos de ira e de discussões, de toda a miséria humana e todo o desperdício de vida.

Nós nos perguntamos onde as divindades estão ao nos depararmos com tanta dor. Eu olho para as estrelas acima para procurá-las novamente. E lá está Arthémis com seu arco a me guiar os passos e as palavras-flechas. Nós viajamos vastos oceanos e quando a liberdade jaze, o céu cai em lágrimas.

É para segurarmos nossa bandeira, é para carregarmos o arco-íris adiante. O amor nos fará fortes. E quando o vento carregar nossos gritos e preces pelo globo, e quando a última estrela brilhar vagamente e o sol do novo dia der a luz, nesse momento mágico, pela imensidão da Mãe Terra reinará o amor, e só!

Por uma boa causa!


Nem menos, nem mais. Direitos iguais!